sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Dia de Finados: homenagem ou culto aos mortos?

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Em 2 de novembro algumas tradições vêm à tona, e grupos religiosos realizam rituais em torno do Dia de Finados.
No segundo dia do mês de novembro, comemora-se uma data alusiva ao Dia de Finados, considerado, inclusive, feriado na maior parte do País. Essa tradição foi instituída pela Igreja Católica desde o século V; no entanto, historiadores relatam que, no século I, alguns fiéis já se reuniam  para celebrar a data, intercedendo pelos parentes e amigos mortos, porque, segundo os que creem, o dia deve ser em comemoração por Deus ter recebido a alma do falecido.
É costume entre muitas pessoas visitar os túmulos nesse dia, levando flores e velas para enfeitar a catacumba. Os materiais utilizados para esse fim têm um significado para quem pratica esses rituais. Acredita-se que a vela é usada para indicar a luz da pessoa morta que ficou na vida de seus amigos e familiares, já o crisântemo simboliza a vida e a morte, pois é uma flor típica do outono, vista como mediadora entre o céu e a terra.
Normalmente, aqui no Brasil, esses dias são tristes, graças à emoção que se sente pela perda de uma pessoa querida, mas, em outros países a comemoração é feita de forma totalmente diferente. É o caso do México. Naquele país, el Día de los Muertos é comemorado com festas, comida típica, música e caveiras feitas de açúcar. Os mexicanos acreditam que nessa época os mortos visitam seus parentes vivos, e por isso realizam toda essa festa para recebê-los.
Reprodução/ Internet
Na Coreia do Norte, o dia dos mortos é celebrado na mesma data do Dia de Ação de Graças. Eles se juntam para agradecer aos seus antepassados pela fartura do ano que passou e dividem seu alimento com os parentes. A data é denominada de Chuseok. Já no Japão, os mortos são homenageados no festival Bom Odori, que acontece entre os meses de julho e agosto. Os japoneses vão às ruas depois do pôr do Sol, pois acreditam que os espíritos saem à noite, por isso eles dançam, tomam banhos de lama e carregam lanternas, celebrando a sabedoria dos antepassados.
Na Indonésia, ocorre também o festival de Ma’nene, no qual as pessoas têm o costume de vestir as múmias de seus ancestrais com as roupas que usavam; os chineses celebram o Ching Ming realizando, no fim do dia, um piquenique no cemitério. Os bolivianos têm basicamente os mesmos costumes dos indonésios, mas ainda oferecem cigarros, folhas de coca e álcool aos mortos no dia chamado de Dia das Caveiras.
O Peru comemora o Dia de Finados em 1º de novembro. A celebração da data no Brasil é comemorada em 02 de novembro, tendo em vista que se trata do Dia de Todos os Santos, usado pela Igreja Católica para homenagear todos os que morreram, e não foram canonizados.
Diversas crendices rodeiam a passagem desse dia aqui no Brasil. Para os católicos, na data, muitas famílias devem evitar ligar o rádio ou mesmo a televisão. Acredita-se também que sentir um tremor ou arrepio significa que o espírito da morte passou por perto e, diante disso, deve-se bater três vezes na madeira. Além disso, não se pode trazer terra do cemitério para a casa; e, durante uma sessão de fotos, ficar no centro aponta que você pode ser a próxima pessoa a morrer.
Os cristãos protestantes não comemoram o Dia de Finados ou Dia dos Fiéis Defuntos, pois não veem fundamento bíblico para tal, já que a prática na Igreja Católica é fundamentada no livro de Macabeus, o qual não é reconhecido na Bíblia dos evangélicos. Outras religiões como hinduísmo e budismo também não reconhecem a prática.
Comentário – Por: Ev. Nadjackson Saraiva
Culto aos mortos: celebração cristã ou pagã?
O fascínio pela vida além-túmulo sempre esteve presente na experiência humana, que desde os primórdios de sua existência busca nos ritos de “comunicação com os mortos” uma forma de consolo e compreensão do desconhecido. Civilizações antigas, como a do Egito, da Babilônia, da Grécia, dentre outras, buscaram através dos ritos, que variavam de acordo com o povo, contatos e comunicação com os entes de além-túmulo a fim de “ajudá-los” e serem “ajudados” no plano espiritual e material. Daí o aparecimento de ritos que contemplavam desde o oferecimento de animais em sacrifício para apaziguar a ira dos “deuses” (homens transformados em deuses), oferecimento de alimentos aos mortos, preces e velas acesas com o objetivo de “enviar” luz para os que estão “em trevas” até as ofertas de numerários, que na Idade Média atendiam a uma tabela preestabelecida que determinava o “preço” da liberação para o céu, caso o indivíduo estivesse preso no purgatório.
E é justamente nesse contexto pagão primitivo que a prática do culto, ou a veneração, aos mortos reacendeu na presente era e vem conquistando adeptos no cenário mundial, fazendo-se presente em culturas diametralmente opostas como a do Extremo Oriente — por exemplo, no Japão, a prática do xintoísmo — ou a da América Latina — com o sincretismo religioso, a canonização de seres mortais e pecadores e as oferendas que visam atender às preces de quem está oferecendo (caso o falecido seja um santo) ou amenizar o sofrimento do morto (caso o falecido seja um cidadão comum).
É a veneração, ou o culto, aos mortos uma doutrina bíblica? Que postura os “vivos” devem ter em relação aos “mortos”? É possível fazer alguma coisa pelos mortos? O que a Bíblia diz sobre o assunto?
Precisamos, antes de tudo, afirmar que a veneração, ou o culto, aos mortos fere três grandes verdades escriturísticas. Em primeiro, a verdade da mediação exclusiva de Cristo, “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (I Tm 2.5). Só Jesus pode salvar. “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”. (At 4.12). As orações deveriam ser realizadas apenas no nome de Jesus (Jo 14.13, 14; 16.23) e os milagres também (Mc 9.39; 16.17; Jo 14.13).
Em segundo, a verdade da abominação da comunicação com os mortos, pois Deus sempre proibiu tal abominação: “Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti”. (Dt 18.10-12). O profeta Isaías, séculos depois falou dessa prática abominável: “Quando, pois, vos disserem: consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á os mortos?” (Is 8.19), mostrando que o povo de Deus não deveria “consultar os mortos”, pois tal prática para Deus era abominação. O evangelista Lucas nos mostra essa impossibilidade de comunicação com os mortos (Lc 16. 26-29).
E em último, a verdade de um juízo eterno sem uma segunda oportunidade. A crença de uma segunda oportunidade após a morte fere diretamente o princípio da Escritura, que delega a esta vida a decisão do destino além-túmulo. A Bíblia é taxativa em afirmar: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hb 9.27).
Quando uma alma passa para outra vida, o seu destino será fruto de sua decisão aqui na Terra (Lc 16.19-27). Portanto, não há base bíblica para a veneração, ou o culto, aos mortos, sendo esta prática espúria, antibíblica e pagã.AD News

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