terça-feira, 3 de setembro de 2013

“Jesus reencarnado” em mulher lidera seita que sequestra cristãos.

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Quase mil integrantes de uma seita que pregava o fim do mundo em 21 de dezembro de 2012 foram presos na China por pregarem o Apocalipse. O grupo tem mais de um nome, os mais conhecidos são Dōngfāng Shǎndiàn [Relâmpago Oriental], “seguidores do Segundo Salvador”, “verdadeira Luz” e “Igreja de Deus Todo-poderoso”. Fundada em 1989, na província chinesa de Henan, foi proibida de atuar pelo governo desde 1995. Seu fundador, Zhao Weishan, alegando perseguição religiosa, fugiu para os Estados Unidos.
Desde então tem se espalhado entre comunidades de imigrantes chineses em todo o mundo. Sua crença central é que Jesus Cristo reencarnou em uma mulher chinesa de meia-idade chamada “Relâmpago” Deng, que vive hoje no bairro Chinatown, em Nova York. Eles defendem que seus membros devem derrubar o Partido Comunista chinês, a quem chamam de “Satanás encarnado” e “o grande dragão vermelho”.
Suas principais tentativas de recrutar fiéis são nas comunidades rurais chineses e incluem métodos bizarros. Desde o aparecimento de cobras vivas pintadas com versículos, até luzes com brilho neon nas casas das pessoas que de alguma forma acreditam na segunda vinda de Cristo. Embora não esteja claro como eles fazem isso, tais medidas causam temor naqueles que os rejeitam.
Líderes de grupos evangélicos e católicos advertiram seus membros repetidas vezes sobre os perigos desse grupo. Mas a seita continua se infiltrando nas chamadas “igrejas subterrâneas” da China, grupos de cristãos que seguem a Bíblia e por isso são proibidos pelo governo comunista.
As táticas de aliciamento de membros incluem sedução, sequestro, suborno e chantagem. A Relâmpago Oriental já cooptou mais de um milhão de membros, de acordo com estimativas próprias. Com isso, é a primeira vez que o Partido Comunista da China e os líderes da igreja subterrânea parecem estar do mesmo lado.
O inimigo em comum é apenas mais um capítulo na longa e sangrenta história dos cristãos que vivem na China e sofrem constante perseguição interna e externa. Historicamente, os líderes dos cristãos “não registrados” pelo governo estão presos ou são “reeducados através do trabalho”, termo técnico para escravidão.
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Líder cristão sequestrado pela seita com a orelha cortada.
Quando o fundador da seita, Zhao Weishan, conheceu uma mulher chamada “Relâmpago Deng”, ela mostrou a ele o livro que tinha escrito, chamado “Relâmpago do Oriente”, que reescrevia a Bíblia usando elementos culturais chineses. Desde então os dois têm divulgado vários ensinamentos que unem versículos bíblicos e técnicas de guerrilha.
A revista Vice entrevistou Wei Guangzheng, imigrante chinês que teve contato com a seita nos EUA. “A maioria dos seus seguidores vive na zona rural, têm pouca educação formal, e estão em sua maioria desempregados”, contou.
Também ouviu Dennis Balcombe, um pastor americano que vive na China. Ele ficou em prisão domiciliar por alguns meses por pregar ilegalmente o Evangelho. O pastor conta que os membros da seita “são extremamente violentos e usar o sexo para tentar converter as pessoas”. “Eu já ouvi histórias de cristãos sendo queimados, espancados, e ameaçados que seus filhos seriam mortos. Quando a Relâmpago sequestra alguém, a pessoa fica detida por seis meses, e ele passam a fazer lavagem cerebral nela”, lamenta.
Para o pastor americano, eles são “como a Máfia”, e já “extorquiam mais de um milhão e meio de dólares dos seguidores”. Extremamente bem treinados, estão se infiltrando cada vez mais nas igrejas cristãs chinesas, alcançando posições de liderança depois de um tempo. Quando saem, levam consigo muitos membros para seita, o que atrapalha muito o trabalho em um país tão avesso ao cristianismo.
Em 2002, a seita sequestrou os 34 principais líderes de uma das mais importantes redes de igrejas subterrâneas, a China Gospel Fellowship. Eles ficaram em cativeiro por dois meses.
Alguns tiveram suas pernas quebradas e outros, as orelhas cortadas. Mulheres nuas tentaram seduzi-los a entrar para o grupo. Como não tiveram sucesso, tiraram fotos comprometedoras que seriam usadas para chantageá-los. Desde então, as atividades da seita são detectadas em diversos lugares da China, seguindo sempre a mesma estratégia. Mais um grande desafio para um país onde a perseguição aos cristãos aumentou 125% no ano passado, segundo dados de missões que trabalham no país.

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